Quem já estudou a Mensagem do Graal, sabe que se um pensamento emitido com força anímica for puro, então, em seu percurso elíptico pelo Universo poderá entrar em contato com pensamentos mais elevados e deles receber influências, as quais, irradiando retroativamente pelo cordão de ligação com o gerador, desencadeiam a chamada "inspiração".

A inspiração, portanto, também não é algo estritamente pessoal, mas sim obtida pelo próprio pensamento básico, que em sua trajetória inicial ascendente (devido à sua pureza intrínseca) encontra pensamentos de igual espécie mais elaborados. Foi o que ocorreu na recepção do saber a respeito de Parsival e do Graal, que os poetas medievais transcreveram em suas sagas. Eles receberam inspirações a respeito de acontecimentos elevados, porém permitiram que o raciocínio interferisse nessa recepção, o que impossibilitou a correta compreensão dos fenômenos. Na dissertação “Os planos espírito-primordiais I”, podemos ler essa passagem esclarecedora:

“Tomemos, pois, a lenda a respeito de Parsival! Partindo desta pequena Terra, em pensamento, procura o ser humano pesquisar e encontrar algo a respeito de Parsival, para descobrir a origem, o surgimento dessa lenda. Certamente os poetas da Terra imaginaram pessoas terrenas, que lhes deram um impulso externo para a forma do poema; contudo, em seu trabalho de aprofundamento espiritual, colheram inconscientemente algo de fontes que eles próprios não conheciam. Todavia, como finalmente procuraram melhorá-lo com o raciocínio, para assim torná-lo terrenalmente belo e facilmente compreensível, o pouco que eles puderam receber dos planos desconhecidos foi também comprimido, diminuído e deformado na matéria grosseira.”

 

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