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Leitura

O “não dever se prender” a bens terrenos significa apenas que um ser humano não deve deixar-se arrebatar a tal ponto, de considerar o amontoamento de bens terrenos como finalidade máxima de sua vida terrena, de se “prender”, portanto, através disso predominantemente a esse pensamento.

Abdruschin

Mensagem do Graal

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Reflexão sobre o Amor

Amor e ódio

Temos hoje em controvérsia os dois mais poderosos afetos, e os dois mais perigosos da vontade humana. Tão poderosos que, se a vontade os vence, é senhora; tão perigosos que, se eles vencem a vontade, é escrava. E que dois afetos são estes? Amor e ódio. O amor tem por objeto o bem para o abraçar, o ódio tem por objeto o mal para o fugir, e este é o poder universal que se estende sem limite a quanto tem o mundo. Mas como o mal muitas vezes anda bem trajado e o bem, pelo contrário, mal vestido, daqui vem que, enganada a vontade com as aparências, facilmente ama o mal com se fora bem e aborrece o bem como se fora mal. Mas este mesmo ditame, ainda hoje tão seguido, posto que parece fundado em igualdade e justiça, é o maior e mais perigoso erro […] Nem sabemos o que é amor, nem sabemos o que é ódio; nem sabemos amar, nem sabemos aborrecer; nem sabemos querer bem, nem sabemos querer mal. Engana-nos o mal com aparências de bem e leva-nos o amor: engana-nos o bem com aparências de mal e mete-nos no coração o ódio. E que fará a triste vontade enganada assim cativa?

Ser amado e não amar é a maior injustiça

Falando em termos somente naturais e humanos, neste caso ou noutro semelhante, qual estado ou qual fortuna seria mais cruel e mais detestável, a do que ama e não é amado, ou a do que é amado e não ama! Respondo que no tal acontecimento o que ama e não é amado, seria digno de maior compaixão, e o que é amado e não ama, de maior horror. Amar e não ser amado é o maior tormento; ser amado e não amar é a maior injustiça. Mas aquilo é padecer a sem-razão, isto é fazê-la: logo melhor é amar e não ser amado que ser amado e não amar, porque amar e não ser amado é ser mártir; ser amado e não amar é ser tirano. Sendo, pois, um excesso tão alheio da razão, tão indigno da humanidade, e tão contrário a toda a inclinação natural não pagar amor com amor, quem duvida ou pode duvidar que não só o aborrecer a quem nos ama [que é acto], mas ainda o não amar somente (que é mera suspensão), seja a maior violência da liberdade humana, o maior aperto do coração e a maior tirania da natureza?

Ω

O amor e o ódio ambos sentenciam sem vista, um porque a não tem e outro porque a não dá.

Ω

O amor essencialmente é união, e a união não pode unir um extremo sem que una também o outro.

Ω

O amor perfeito, e que só merece o nome de amor, vive imortal sobre a esfera da mudança, e não chegam lá as jurisdições do tempo.

Ω

Não há dúvida de que, assim como a parte da ingratidão foi o maior excesso a que podia chegar a fereza humana, assim da parte do amor foi o maior extremo com que a podia corresponder a benignidade divina.

Ω

Se o diminuir no amor é descrédito, também é descrédito o crescer. Quem diz que ama mais desacredita o seu amor, porque, ainda que o crescer seja aumento, é aumento que supõe imperfeição. Amor que pode crescer não é amor perfeito.

Ω

De muitos contam as histórias que morreram porque amaram; mas porque o amor foi só a ocasião, e a ignorância a causa, falsamente lhe deu a morte o epitáfio de amantes. Não é amante, quem morreu porque amou, senão quem amou para morrer.

Ω

No amor dos homens, em que o ciúme se reputa por fineza, um amor leva sempre por condição dois aborrecimentos; porque quando amam é com condição que nem vós haveis de amar a outrem, nem outrem vos há-de amar a vós.

Padre António Vieira

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Reflexão sobre o Amor

 

O amor pede identidade com diferença

O amor pede identidade com diferença, o que é impossível já na lógica, quanto mais no mundo. O amor quer possuir, quer tornar seu o que tem de ficar fora para ele saber que se torna seu e não é. Amar é entregar-se. Quanto maior a entrega, maior o amor. Mas a entrega total entrega também a consciência do outro. O amor maior por isso é a morte, ou o esquecimento, ou a renúncia – os amores todos que são os absurdiandos do amor. […] O amor quer a posse, mas não sabe o que é a posse. Se eu não sou meu, como serei teu, ou tu minha? Se não possuo o meu próprio ser, como possuirei um ser alheio? Se sou já diferente daquele de quem sou idêntico, como serei idêntico daquele de quem sou diferente? O amor é um misticismo que quer praticar-se, uma impossibilidade que só é sonhada como devendo ser realizada.

O amor romântico

O amor romântico é como um traje, que, como não é eterno, dura tanto quanto dura; e em breve, sob a veste do ideal que formámos, que se esfacela, surge o corpo real da pessoa humana em que o vestimos. O amor romântico, portanto, é um caminho de desilusão. Só o não é quando a desilusão, aceite desde o princípio, decide variar de ideal constantemente, tecer constantemente, nas oficinas da alma, novos trajes, com que constantemente se renove o aspeto da criatura por eles vestida.

Nunca amamos ninguém

Nunca amamos ninguém. Amamos, tão-somente, a ideia que fazemos de alguém. É a um conceito nosso – em suma, é a nós mesmos – que amamos. Isso é verdade em toda a escala do amor. No amor sexual, buscamos um prazer nosso dado por intermédio de um corpo estranho. No amor diferente do sexual, buscamos um prazer nosso dado por intermédio de uma ideia nossa

Ω

O amor é um sonho que chega para o pouco ser que se é.

Ω

Amar é cansar-se de estar só: é uma cobardia, portanto, e uma traição a nós próprios (importa soberanamente que não amemos).

Ω

Amor não se conjuga no passado, ou se ama para sempre ou nunca se amou verdadeiramente.

Ω

O amor é uma amostra mortal da imortalidade.

Ω

O sonho jovem do amor é muito velho.

Ω

Quando puderes dizer o teu grande amor, deixa o teu grande amor de ser grande.

 

Ω

Poema

Quando ela passa

Quando eu me sento à janela

P´los vidros que a neve embaça

Vejo a doce imagem dela

Quando passa... passa... passa...

Lançou-me a mágoa seu véu:-

Menos um ser neste mundo

E mais um anjo no céu. 

Quando eu me sento à janela,

P´los vidros que a neve embaça

Julgo ver a imagem dela

Que já não passa... não passa...

 

Fernando Pessoa

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Reflexão sobre o Conhecimento

A maior parte do que sabemos é a menor parte do que ignoramos

A maior parte do que sabemos é a menor parte do que ignoramos. Não se achou varão tão perfeito no Mundo que conhecesse o que tinha de sábio senão sabendo o que lhe faltava para perfeito. Não se viu ninguém tanto nos últimos remates da perfeição em quem não bruxuleassem sempre alguns desaires de humano. (…) Não necessitando de nada, os grandes só de verdades necessitam; porque, como custam caro, todo o cabedal da fortuna é preço limitado para elas; por isso nos grandes são mais avultados os erros, porque erram com grandeza e ignoram com presunção. Mais gravemente enferma o que logra melhor disposição que o que nunca deixou de ter achaques: e a razão é porque a enfermidade que pôde vencer disposição tão boa teve muito de poderosa; ignorância que não alumiou o discurso mais desperto tirou as esperanças ao remédio.

Os que cuidam que tudo sabem necessitam de mais advertências

Os que cuidam que tudo sabem necessitam de mais advertências, porque erram mais torpemente; por isso necessitam de mais conselhos, porque presumem que de nada carecem, cegueira em que os mais advertidos tropeçam. Os mesmos céus necessitam de uma inteligência que os mova. O Sol, príncipe dos astros, necessita de menores planetas que moderem sua intenção de raios. As estrelas necessitam dos raios do Sol para seus luzimentos e, contudo, ainda se acham no céu estrelas errantes. Todos atiram ao alvo e poucos acertam, porque acertar é de uma só vez e o errar é de muitas. Do conselho pende todo o acerto das Nações; de todos se há-de tomar, porque isto não tira a liberdade para o eleger.

Ω

Oh! Quanta diferença há entre as apreciações do mais sapientíssimo, filosofando de longe sobre coisas distantes, e as de outro menos douto que, de perto, na sua presença, vê as coisas como elas são.

Padre António Vieira

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Reflexão sobre o Amor

 

A posse destrói sempre o amor! A paixão, o amor, são coisas que, quando existem, é difícil que existam. Quando você me diz: «Gosto muito de quintas», eu posso perguntar-lhe de imediato: «Tem alguma?» E você responde-me: «Tenho uma!» Então eu desconfio de que isso não tem nada a ver com amor… É simplesmente o lucro, é a comodidade, qualquer coisa do género… Se, por outro lado, você me diz: «Não tenho nenhuma quinta, nem quero!», então aí já eu penso: «Este sabe o que é amar.» Como vê, são dois verbos distintos, o verbo «amar» e o verbo «ter»; a posse destrói sempre o amor.

Ω

Amar alguém ou alguma coisa é primacialmente instalá-lo num clima de plena liberdade, com todos os riscos que a liberdade comporta; desejar é limitar na liberdade; a nós e aos outros.

Ω

Cede ao amor e deixa que os outros lhe chamem vontade.

Ω 

Amar é querer que seja nós e outrem o máximo de nós.

Ω

Apaixonar-se é passivo; amar, ativo; o perfeito está no que não é nem isto nem aquilo.

Ω

Que não haja restrição a amor algum; mas que o amor restrinja.

Ω

Exige-se, para o perfeito amor, que o amado ame o amante; que este ame, em si próprio, o amante que ama o amado e que o amado ama, o mesmo tendo de haver no correspondente. Que os amantes amem nos amados os amantes que a eles amam. Ou, mais simples: que o amor se ame.

Ω 

Quem fala de amor não ama verdadeiramente: talvez deseje, talvez possua, talvez esteja realizado numa ótima obra literária, mas realmente não ama; só a conquista do vulgar é pelo vulgar apregoado aos quatro ventos; quando se ama, em silêncio se ama.

Ω

A paixão é, de facto, passiva; na paixão há um domínio do amado sobre o amante. Ter a paixão da física significa que somos inferiores à física. Ter o amor da física significa que somos nós a criar a física. Apaixona-se o fraco, o forte cria. Quando se ama, inventa-se inteiro o objeto amado, e daí o espanto de muitas das mulheres que homens grandes amaram; porque me escolheu ele, porque reparou em mim, porque me quis tanto?

Ω

Ame sem poder e verá o que lhe acontece; verá como a vida se vinga; o melhor o melhor que lhe poderá suceder é casar. Mas isso é um mal elementar.

Ω

Não é amar as raparigas tratá-las como seres que não entendem senão as suas lisonjas e as suas anedotas; só as amará e só elas o poderão amar a você, para além das enganadoras aparências, quando a sua alma se lhes abrir, e com todos os seus problemas, todas as suas angústias, toda a sua seriedade, toda a sua gravidade humana.

Ω

 

Poema

Amor a cada dia que nos surge

Só amando o teremos merecido

Recusando morrer a cada dia

Que sempre o maior bem é ter nascido

Muito acima da razão

O mundo coeso e vário

Só amor descobre o uno

No par que em si é contrário

 

 

Agostinho da Silva

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PENSAMENTO

Adonis

Poeta

A sociedade que julga deter a verdade absoluta produz ignorância. Esta última não só ocupa o lugar da ciência e do saber, como se transforma numa revolta perpétua contra o saber e a ciência  

NOVO ARTIGO

A globalização e os países

Os homens se apegam ao poder desde de longa data. A nobreza tinha os direitos sobre a terra. Com a ascensão do dinheiro e crédito, o capitalismo alcançou o comando. Comunistas e socialistas, ambos intervencionistas, também foram atrás do poder com a bandeira de defender os desprotegidos.

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