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Reflexão sobre a Liberdade

 

 A fé dos homens é ainda na liberdade

Neste tempo em que estamos, outro nome para nós devem tomar a Beleza e o Amor que Deus é, e o nome que devemos fundir numa trindade agora plenamente vista é o da Liberdade.

Apesar do sistema económico que não deixa que os homens aproveitem pleno e rápido o que o génio lhes inventa, embora seja o génio em grande parte incitado a fazê-lo pelo próprio sistema económico, ou pela concorrência em que ele se baseia; apesar de vermos num mundo tão cioso de seu cristianismo que se continua a queimar comida para que os preços não desçam, e isto mesmo num Mercado Comum Europeu de que tantos tão facilmente se enamoram; apesar de homens serem conservados no desemprego, com a fome ou a humilhação do socorro estatal, apenas porque tal convém ao lucro; apesar de que noutra metade do mundo a saída do subdesenvolvimento se esteja processando em regimes que não põem nos meios que empregam a concordância com os fins, isto é, que são repressivos quando têm por ideal a total abolição de autocracias; apesar de se estar caminhando, mesmo nos países que mais livres pareciam, para formas de repressão em que o homem se esmaga; apesar do pouquíssimo respeito que se demonstra pelos direitos do individuo ou das nações; apesar de toda a noite que se afigura estar descendo sobre o mundo; a fé dos homens é ainda na liberdade, a pressão sobre a economia é ainda a da liberdade, a limitação aos governos, tão predispostos ao abuso, é ainda a da liberdade; e, na palavra ou no silêncio, mesmo nos mais embrutecidos por qualquer lado das guerras, mesmo nos mais afastados de um pensar coerente, a ideia dominante é a de que querem viver suas vidas próprias na liberdade e na paz.

Estão vivos noventa por cento dos sábios com que contou a Humanidade desde o início da sua História, dispõe de meios que em outras épocas nem ousariam sonhar-se; as descobertas que se fazem, incluindo as que estão ligadas às viagens espaciais, contra as quais tanta gente está, exatamente como esteve contra os portugueses o Velho de os Lusíadas, permitiriam já hoje um paraíso de abundância e segurança sobre o mundo, se fosse tão fácil porem os homens o seu temperamento de acordo com a sua inteligência como lhe é fácil fazer obedecer à sua inteligência as forças adormecidas do universo físico; adormecidas no adormecimento em que a Bela esperava seu Príncipe; e caminhando para a mesma íntima fusão.

Todas as esperanças nos são abertas; os avanços tecnológicos estão ao nosso dispor e para o único fim em que serão úteis, para nos darem tempo livre; talvez, durante alguns séculos ainda, tempo livre para criarmos matemática ou poesia ou pintura; depois, tempo livre já mais certo, que é o de vermos a matemática ou a poesia e a pintura como existindo no mundo à nossa volta com mais plenitude do que em nossas equações, versos e quadros, dispensando a existência dos artistas, que terão sido apenas meios de comunicação da beleza para quem ainda não podia ver diretamente; e afinal, na idade melhor, sendo nós próprios matemática, poesia e pintura, vivendo arte e ciência, e, por viver, as criando; este é o tempo livre que Deus tem: vive, e o mundo é; vive o mundo, e Ele é; o qual Deus nos quer à Sua imagem e semelhança, como nós O temos querido à nossa; quando as duas vontades se encontrarem, e só então, haverá o Paraíso.

As liberdades essenciais!

As liberdades essenciais são três: liberdade de cultura, liberdade de organização social, liberdade económica. Pela liberdade de cultura, o homem poderá desenvolver ao máximo o seu espírito crítico e criador; ninguém lhe fechará nenhum domínio, ninguém impedirá que transmita aos outros o que tiver aprendido ou pensado. Pela liberdade de organização social, o homem intervém no arranjo da sua vida em sociedade, administrando e guiando, em sistemas cada vez mais perfeitos à medida que a sua cultura se for alargando; para o bom governante, cada cidadão não é uma cabeça de rebanho; é como que o aluno de uma escola de humanidade: tem de se educar para o melhor dos regimes, através dos regimes possíveis. Pela liberdade económica, o homem assegura o necessário para que o seu espírito se liberte de preocupações materiais e possa dedicar-se ao que existe de mais belo e de mais amplo; nenhum homem deve ser explorado por outro homem; ninguém deve, pela posse dos meios de produção e de transporte, que permitem explorar, pôr em perigo a sua liberdade de espírito ou a liberdade de espírito dos outros. No Reino Divino, na organização humana mais perfeita, não haverá nenhuma restrição de cultura, nenhuma coação de governo, nenhuma propriedade. A tudo isto se poderá chegar gradualmente e pelo esforço fraterno de todos.

O nosso desejo de liberdade não é sincero

Se estamos todos muito bem preparados para reclamar liberdade para nós próprios, menos dispostos parecemos para reclamar sobretudo liberdade para os outros ou para lhes conceder a liberdade que está em nosso próprio poder; se conhecêssemos melhor a máquina do mundo, talvez descobríssemos que muita tirania se estabelece fora de nós como se fosse a projeção ou como sendo realmente a projeção das linhas autocráticas que temos dentro de nós; primeiro oprimimos, depois nos oprimem; no fundo, quase sempre nos queixamos dos ditadores que nós mesmos somos para os outros; e até para nós próprios, reprimindo todas as tendências que nos parecem pouco sociais ou pouco lucrativas, desejando muito que os outros nos vejam como simples, bem ajustados, facilmente equitetáveis.

Ω

Não há liberdade minha se os outros não a têm…

Ω

Chamo liberdade à minha ignorância do destino; e destino ao meu ignorar da liberdade.

Ω

Se dizes «tens de ser livre», me prendes ao contrário.

Ω

Ser verdadeiramente livre seria Deus porquanto nenhuma determinação poderia provir senão d’Ele próprio.

Ω

A tua aproximação da liberdade passa pela tua solidão.

Ω 

A liberdade só existe quando todos os nossos atos concordam com todo o nosso pensamento.

Ω

Liberdade só se pode perder por um ato supremo de liberdade: o da renúncia.

Ω

Consiste o livre-arbítrio em voluntariamente cumprir o fado.

Ω

 

Poema

Serás mais livre na vida

Se vires em seus efeitos

Defeitos nas qualidades

Qualidades nos defeitos

 

Agostinho da Silva

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PENSAMENTO

Adonis

Poeta

A sociedade que julga deter a verdade absoluta produz ignorância. Esta última não só ocupa o lugar da ciência e do saber, como se transforma numa revolta perpétua contra o saber e a ciência  

NOVO ARTIGO

A globalização e os países

Os homens se apegam ao poder desde de longa data. A nobreza tinha os direitos sobre a terra. Com a ascensão do dinheiro e crédito, o capitalismo alcançou o comando. Comunistas e socialistas, ambos intervencionistas, também foram atrás do poder com a bandeira de defender os desprotegidos.

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