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Levantar o céu

As efetivas ameaças que pairam sobre a Humanidade mostram a urgente necessidade de «desvendar ou antecipar o que nos espera» na nossa relação com o Céu e a Terra. Dominamos a matéria, manipulamos as leis físicas, acumulamos o poder e o dinheiro, aperfeiçoamos a racionalidade, e, todavia, o caminho que escolhemos parece conduzir diretamente ao caos. É bom acreditar que merece a pena «levantar o céu», e lembrarmo-nos de que não estamos sozinhos. Felizmente há muitas mulheres e homens neste mundo a tentar unir esforços para manter o contacto entre o Céu e a Terra. É esse o caminho que a sabedoria ensina a percorrer para encontrar a saída do labirinto em que a vida nos coloca. Os textos aqui reunidos foram escritos ao sabor de solicitações variadas, a que tentei responder na medida das minhas possibilidades e segundo as minhas convicções pessoais. Uns são mais «cívicos», outros mais espirituais; uns inspirados no senso comum, outros na mensagem evangélica; uns recorrem à História, outros a princípios intemporais. Qualquer que seja a linguagem e o pensamento que os inspira, pretendem todos contribuir em alguma coisa para «levantar o Céu».

José Mattoso

 

Sabedoria e Fraternidade

Para quem tomar os três conceitos de liberdade, igualdade e fraternidade em si mesmos não pode deixar de os considerar como valores incontestáveis, seja para um cristão, seja para quem for. Por isso, o observador desprevenido acha estranho que a igreja tenha levantado objeções à sua valorização. De facto, a Igreja, durante o longo pontificado do papa Pio IX, e, depois disso, durante muito tempo, não hesitou em condenar o liberalismo em geral e o liberalismo católico em particular. Foi preciso uma muito lenta maturação intelectual e doutrinal para que a vigilância censória do Vaticano atenuasse as suas desconfianças. Quanto à trilogia que os liberais apresentavam quase como um novo Evangelho, a apologética cristã do século XIX interpretava-a como pura hipocrisia: do seu ponto de vista, os liberais não queriam instaurar a igualdade e a fraternidade, mas destruir a igreja.

Na verdade, não se pode negar que a maioria dos governos liberais de então considerava a ação anticlerical como necessidade inerente ao triunfo do liberalismo e à implantação do progresso. Em compensação, os católicos raramente souberam distinguir o sentido ideológico da trilogia da sua verdade essencial. Não compreenderam que esse uso ideológico, ao ocultar os interesses da burguesia como classe dominante, não lhe retirava o valor como expressão de um ideal que a Igreja devia também defender. Procurando o sentido próprio dos conceitos, temos de reconhecer que a trilogia, em si mesma, enuncia um ideal. Sendo um ideal, é inatingível neste mundo. Não é por isso que deixa de ser mobilizador de uma prática efetiva. Mas a trilogia tem também uma função ideológica. Como tal, pode esconder objetivos menos desinteressados do que parece. A apologética cristã dos séculos XIX e XX denunciou-a como inconciliável com o cristianismo e com os direitos da Igreja. Pio IX e alguns dos papas que se seguiram condenaram as obras de Lamennais, e os princípios do liberalismo católico. Esqueceram-se da profunda identidade de princípios do que devia unir cristãos e não cristãos na defesa da liberdade, da igualdade e da fraternidade. Raros foram aqueles católicos que reivindicaram a sua inspiração cristã, isto é, a sua coerência com a mensagem de Jesus Cristo. Raros foram, também, os defensores do liberalismo político que proclamaram a origem evangélica dos seus ideais.

[…]

A sabedoria não pode, também, deixar de denunciar o caráter por assim dizer luciferiano do tipo de progresso proposto pela ideologia maçónica e pelo positivismo, isto é, daquele progresso que esquece o homem e se alcança pela técnica e o voluntarismo racionalista. O positivismo novecentista confiava na realização plena das virtualidades humanas a partir de desenvolvimento técnico e da lógica racional. Mas a evolução socioeconómica do mundo atual parece demonstrar o seu fracasso de forma cada vez mais categórica. A capacidade técnica do homem não garante o sentido da responsabilidade no uso dos meios ao seu dispor. A conceção consumista em que se baseia a economia de mercado e a busca do lucro a qualquer preço, com todas as suas consequências para as grandes massas indefesas, coloca nas mãos de predadores sem escrúpulos a gestão do dinheiro, do poder e dos bens naturais e artificiais: a gestão da água, da terra, da energia, do lixo tóxico e não tóxico, das armas, dos órgãos humanos, da droga, do sexo, da informação, da privacidade. O que o racionalismo trouxe foi a reserva dos benefícios da modernidade e das realizações técnicas para uma minoria cada vez mais reduzida. As estatísticas não mentem. Um panorama dos problemas como a fome, a limitação da energia ou da água, e do que a técnica humana tem conseguido fazer para os resolver, conduz a uma situação de desespero.

[…]

Não sabemos como se faz esta contabilidade do mais e do menos. Só sabemos que temos de abandonar muitos preconceitos, de alijar muita carga inútil e de oferecer mais amor e bondade. Temos de converter o nosso olhar sobre o mundo ao olhar de Jesus Cristo. Temos de converter o nosso coração, e deixar que a Palavra, que é o próprio Jesus Cristo, produza em nós a metanoia. Temos de acreditar, com uma fé inteira, na eficácia dos gestos simbólicos que Jesus nos ensinou a fazer. Então, por meio de um olhar novo sobre o mundo, seremos capazes de ver o que nele já existe de divino, e que é semente e promessa de unidade. E tendo visto a marca do divino, deixar que ela solte em nós esse amor e bondade que são a marca da verdadeira fraternidade.

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PENSAMENTO

Adonis

Poeta

A sociedade que julga deter a verdade absoluta produz ignorância. Esta última não só ocupa o lugar da ciência e do saber, como se transforma numa revolta perpétua contra o saber e a ciência  

NOVO ARTIGO

A tarefa prioritária do ser humano

Em sua transitória permanência na Terra, a tarefa prioritária do ser humano é aprimorar-se na convivência com seus semelhantes e contribuir para o contínuo beneficiamento e embelezamento geral e melhora das condições de vida. Diferentes raças e povos constituem o conjunto das criaturas humanas, mas estas foram enveredando cada vez mais por funestos caminhos, acarretando o oposto do que deveriam realizar, provocando a destruição da beleza, da ordem e da paz.

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